Jorge dos Reis, designer gráfico

Projeto de design gráfico para a identidade visual consolidada da Trienal de Design da Covilhã

Toda a forma é comunicante. O modo como o design gráfico elabora uma depuração das formas do quotidiano radica no modo delicado como o labor dos debuxadores, da cidade, alimenta o projeto de design gráfico para a identidade visual consolidada da Trienal de Design da Covilhã 2025, patente em dois elementos articulados: o seu símbolo e o seu logótipo.

Do desejo se caminha até ao desenho, do design se caminha até ao debuxo. Os quatro cantos do estirador, convocados: desejo, desenho, debuxo, design, permitem a definição de uma narrativa visual precisa, das formas significantes, dos modos comunicantes, que estão em cima da mesa, no momento de avançar para este projeto de design gráfico, na cidade neve de Portugal.

Começa-se por reconhecer aquilo que conhecemos: o debuxo. Este constitui o elemento sistemático da identidade visual presente: o símbolo, que interpreta a padronagem, o quadrante da estrutura visual da tecelagem, apresentando uma composição que articula positivos e negativos, definindo os padrões do tecido desejado, no contraponto entre as linhas da teia e as linhas da trama.

Observando a ortogonalidade visual do debuxo, os diversos, criativos, cruzamentos de fios presentes no trabalho meticuloso dos debuxadores da Covilhã, procura-se criar uma grelha rigorosa, quadriculada, para a definição do símbolo da Trienal de Design da Covilhã 2025, que constitui uma metáfora, em plenitude, de um padrão aqui seccionado, representando um paradigma dos lanifícios, da sua enorme expressão visual.

Na elaboração deste projeto de design gráfico começa-se pelo desenho do símbolo. Em sequência se chega ao logótipo, representação escrita, tipográfica, do nome do evento, descritivo extensivo da identidade visual consolidada da Trienal de Design da Covilhã, constituído por grafemas, por letras, unicamente, articulando os fonemas, a pronúncia serrana da cidade neve e do seu território.

Desenha-se um alfabeto tipográfico, também ele remetendo para o universo do debuxo, batizado “debuxada”, em harmonia com o símbolo. Um conjunto de unidades geométricas, de fisionomias articuladas de modo rigoroso, é agora vertido no desenho individual de cada letra, onde elementos similares, proporcionais, formam a composição interna de cada grafema, permitindo a sua função e a sua adequação perfeita no contexto da identidade visual consolidada da Trienal de Design da Covilhã.

Este tipo de letra evoca uma particularíssima escrita do debuxo, onde composição, proporção, adequação, função, geram um artefacto de comunicação e disseminação; desenhando as formas significantes da cidade da Covilhã. Deste modo se antecipam criticamente ideias futuras aqui propostas, num projeto de design gráfico que integra conhecimento científico, qualitativo e quantitativo. Transforma-se política a socialmente a comunidade serrana pela forma e pelo seu significado, tendo em conta a exequibilidade da produção deste projeto.

Unhais da Serra, 4 de fevereiro, 2025